Como é a vida em Los Angeles? #AskRita

Esta é a primeira sessão #AskRita, com questões colocadas no Facebook sobre a mudança de país – de Portugal para os Estados Unidos, de Lisboa para Los Angeles. Espero que gostem, deixem as reacções nos comentários.

1. Como foi sair da tua zona de conforto e como estás a lidar com o facto de estares a começar de novo… fora de pé e num mundo completamente diferente?
R: Terrível, assustador e angustiante. Aos 34 anos, tinha a vida mais ou menos organizada – carro pago, casa bem decorada, impostos em dia, círculo de amigos bem cimentado, carreira fluida, independência garantida. Mudar para um país diferente leva tudo o que é família. Não tenho carro, mudei para um apartamento alugado onde não posso sequer fazer furos nas paredes, ando para trás e para a frente com questões do número fiscal, dupla tributação e que tais e ninguém me conhece. Nestes círculos, é como se tivesse outra vez 22 anos, acabada de sair da universidade. Mas em versão velha e sem amigos. Dito isto, é muito excitante e um grande teste à capacidade de resistir e continuar quando tudo parece complicar-se.

2. Está a correr melhor do que esperavas, ou nem por isso?
Está a correr pior. Los Angeles é uma cidade cheia de oportunidades e de oportunistas, onde toda a gente tem uma agenda, um objectivo, uma ambição. Não tinha noção exacta de como Portugal é irrelevante na hora de fazer uma reportagem: mesmo que se pretenda escrever três páginas num dos maiores diários nacionais, é difícil conseguir entrevistas. Tenho de trabalhar o dobro para conseguir metade. Existe também menos valor nos compromissos: darem-te garantia de algo na verdade não garante nada. É um exercício de desapontamento constante.
Por outro lado, tenho tido a oportunidade de ir a eventos fantásticos e fazer reportagens super interessantes, a que não poderia aceder se não estivesse cá. A Califórnia obriga-me a lutar mais com menor compensação imediata, e isso tem um valor intrínseco no crescimento pessoal.

3. Como está a ser a adaptação, estás a ser bem “recebida”?
Houve um choque inicial para o qual que nenhuma viagem anterior me podia ter preparado. Mas adaptei-me bem, e gosto imenso da cidade. Com todas as dificuldades, sinto-me bem recebida. Há muita gente de fora aqui, a quem chamam “transplantes”, pelo que é fácil sentir-me em casa.

4.  Como funciona o sistema de saúde por aí?
É um pesadelo para quem vem da Europa. Os seguros de saúde são muito caros e cheios de restrições – falo de $350 por mês, assim um mais fraquinho. O Obamacare veio resolver para muita gente que não tinha qualquer apoio, mas também prejudicou outras pessoas. Como não tenho direito a nada disso, tento evitar ao máximo qualquer contacto com o sistema de saúde. Uma ida às urgências fica em $2,000. Um raio X $150. Existem clínicas financiadas por filantropos a que se consegue aceder se provarmos que não temos condições financeiras para mais, mas os serviços também são limitados.

5. Quais as maiores dificuldades com que te deparaste?
O trânsito é caótico e o sistema de transportes públicos é limitado, o que obriga a andar sempre de carro e a perder horas em filas. A burocracia é enorme para algumas coisas e as pessoas não fazem o menor esforço por ajudar se não estiver estritamente dentro das suas funções. Na maioria das vezes ninguém sabe responder a nada que não seja a coisa exacta que estão ali para fazer. Tudo é pago, desde o estacionamento no supermercado até às gorjetas obrigatórias. Um bilhete de cinema normal custa $14. É difícil fazer amigos a sério, porque toda a gente tem um interesse e facilmente se esquecem de ti. As aparências são muito importantes, é cansativo. No meu ginásio (cadeia barata, claro) as pessoas treinam com a roupa com que vêm da rua, usam a sauna com ténis e telemóvel aos altos berros, os equipamentos são velhos, não há grandes opções de aulas de grupo e o estacionamento é pago a partir de duas horas de estadia. Se em alternativa quiser treinar na rua, tenho de conduzir até um parque como o Runyon Canyon, porque simplesmente não se anda por estas ruas – ou corre-se o risco de ter três propostas indecentes, dez cães a atirarem-se contra os portões em fúria para nos deitar o dente e alguns vizinhos a olhar de lado e a tomar nota no caderno do “Neighbourhood watch.”

6. Esbarra-se em celebridades em cada esquina?
Em certas zonas, sim. Basta andar por Beverly Hills, ir ao Farmer’s Market ou tomar brunch no 101. Mas ninguém vai lá pedir-lhes autógrafos ou fazer escândalo, é foleiro fazê-lo. Há sítios, como o Urth Cafe em Beverly Hills, em que toda a gente é ou parece uma celebridade.

Post originalmente publicado no The L.A. Vortex

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