O que acontece quando uma portuguesa emigra para Los Angeles

Há muito mais para dizer do que isto. São apenas doze pontos sobre algumas coisas que vou descobrindo à medida que o tempo passa em LA. Este texto foi originalmente publicado no Blasting News Portugal, e o limite de caracteres impõe que seja sucinta.

Já tinha estado duas vezes em Los Angeles, no sul da Califórnia, antes de me mudar para a cidade dos milhões de luzes. Na altura, fiquei numa casa nos Hollywood Hills, onde tudo parece mesmo tirado de um filme; fiz os trajectos dos turistas, desde o Passeio das Estrelas aos estúdios da Universal. Depois, mudei-me para perto de Beverly Hills. Esta é uma lista das coisas que tenho aprendido por aqui.

1. As estações do ano são agora um devaneio confuso. Anda-se de calções em Novembro e apanham-se escaldões em Fevereiro. O Inverno é um pequeno intervalo com soluços de chuva que acontece entre Dezembro e Janeiro e desaparece de repente. Qualquer brisa é desculpa para calçar botas.

2. A comida vegan sabe melhor que a tradicional, e há restaurantes vegan/kosher/sem gluten por todo o lado. Até os amantes de hamburger gostam de ir a sítios vegan, que não são caros. Em contrapartida, um sumo de espinafres custa uns 6 dólares por garrafinha.

3. Ninguém anda para lado nenhum. No máximo, leva-se o carro até ao parque e anda-se dentro do parque. Os transportes públicos são uma miséria, pelo que é preciso ter carro. Comecei a ir a pé para o ginásio, que fica a 15 minutos da minha casa, e é uma sensação no bairro, “andar de propósito!”.

4. A faixa da esquerda é igual à do meio e à da direita. Não há cá faixas de aceleração nem de ultrapassagem, se alguém vai a pisar ovos à frente é comer e calar. O melhor é não apitar nem fazer sinal de luzes, não vá o condutor ter uma espingarda no banco do lado. Quando o GPS avisa que é para sair dentro de um quilómetro, tem de se começar logo a atravessar as quatro ou cinco faixas para encostar à direita (às vezes não se consegue a tempo). Ah, e sem GPS é possível andar perdido um dia inteiro.

5. O que nos traz ao trânsito: a hora de ponta é sempre. Sair de casa para ir a um sítio que fica a dez ou vinte quilómetros é igual, tem de se calcular sempre 45 minutos a uma hora antes. Duas horas se for para ir ao San Fernando Valley, do lado de lá dos Hollywood Hills.

6. Só há duas ocasiões em que se vai à Hollywood Boulevard, onde fica o Passeio das Estrelas: para mostrar os sítios turísticos aos amigos ou para algum evento especial (festivais, Óscares, etc). Da última vez que estive lá fui atraída para a Igreja da Cientologia onde fiz um “teste de personalidade”. Não digam que não avisei.

7. A praia fica aqui perto – há Venice, Santa Mónica e Malibu, mas aos fins-de-semana é um trânsito que não se pode e quase nunca há estacionamento gratuito (aqui paga-se até para ir às compras). A água é fria que dói, o Pacífico enganou-me.

8. Todas as semanas há festas em condomínios e vivendas, e muitas vezes vai-se a convite do amigo do amigo, ou seja, não fazemos ideia de quem é a casa. Há sempre vegetais, batatas fritas e hummus para petiscar.

O resto está aqui.

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