Da medida

“Aos mornos, vomito-os.” É uma frase bíblica. Disse-o Jesus Cristo sobre os fiéis assim-assim, os que crêem mas não ao ponto de mudarem a sua vida pela fé. Ouço-o na minha cabeça quando me dizem que sou excessiva. Alterno entre a frieza e o descaso e as paixões sem medida. Acontecem-me assim, os afectos. Sou fiel às pessoas e às coisas que amo, e não sei se é realmente possível controlar o quanto se ama, ou se apenas há quem não tenha essa capacidade de se entregar tão completamente na sua vida. Disseram-me, uma vez, que ter paixões como eu tenho era falta de personalidade. Discordei – mas percebo de onde vem essa opinião. Sucede que não sei ser de outra forma. Get up with a storm, and rain on my life.

O que eu sei, porém, é desfazer-me das paixões que não me são correspondidas. Aquele amigo que só está disponível quando o resto falha. Aquela pessoa que só me valoriza quando pensa que posso dar jeito. Aquele homem que me pendura no cabide para o caso de me querer mais tarde. Uma vez quebrado o vidro, não há como voltar atrás, e eis o motivo pelo qual me dizem que só sei ser muito amarga ou muito doce.

É verdade. Uma vez azedada, não há adoçante que me disfarce.

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